Em democracia é inegável o papel da comunicação social e dos jornalistas. Eles possuem, entre outros, o honroso dever de informar, de forma imparcial e isenta, sobre a “res publica”, ou seja, sobre todos os assuntos de interesse público que afectam o andamento e/ou futuro do nosso país e, também, conforme a situação, região.
Nos tempos que correm, vemos, cada vez mais, que certos órgãos de comunicação social “perderam” a imparcialidade e a isenção intrínsecas da função. Aliás, na recente “maratona” de actos eleitorais foi notória a parcialidade de certos órgãos de comunicação social que divulgaram inúmeras notícias revestidas de uma suposta isenção e imparcialidade, mas que, na verdade, eram autênticos e descarados artigos de opinião eleitoral e de deturpação da verdade, procurando, desta forma, influenciar a opinião pública. No fundo, tentaram partir de uma posição supostamente isenta e de confiança pública para “vender” uma determinada opinião ou posicionamento político como sendo uma “verdade”.
Ora, este tipo de situações, para além de inaceitáveis e repugnantes, violam demarcadamente o código deontológico dos jornalistas que, logo no 1º artigo, deixa bem claro:
“O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público.”
Posto isto, atendendo que tal normativo é claro quanto baste, apenas complemento que os jornalistas que cumprem o respectivo código deontológico são membros fulcrais da nossa sociedade, merecedores do maior respeito e consideração. Os outros são “jornaleiros”…
Ilídio Leite